quinta-feira, 14 de abril de 2011

Entrevista aos Deolinda

Foto: Rita Carmo

CS Informa É a primeira vez que vêm a Viseu? Quais são as expectativas para este concerto?
Deolinda Já tocámos várias vezes em Viseu, mas será a primeira vez na Semana Académica. Juntando, o bem recebido que somos sempre que vamos a Viseu, com a energia de uma Festa de Semana Académica, esperamos um grande público que vamos tentar empolgar com um grande concerto.

CS Informa O vosso site mostra que têm a agenda cheia até o mês de Agosto e a maioria dos concertos serão em semanas académicas por todo país. Consideram que este tipo de público difere muito de um público num coliseu ou um público internacional por exemplo? Se sim, quais são as diferenças que se destacam mais?
Deolinda
Sem dúvida. Um concerto, num espaço fechado como um Coliseu, onde o público está sentado, é mais intimista. O repertório é diferente: músicas com um tempo mais lento, onde a escuta é mais atenta ao pormenor. Nas Semanas Académicas, em espaços ao ar livre ou com público de pé, exige uma outra energia, naturalmente e em resposta ao público, “puxamos” as músicas para um tempo mais acima. No estrangeiro não é muito diferente de Portugal, só por dizer que não entendem a língua e não cantam connosco, mas sentimos sempre a mesma energia entre nós e o público.

CS Informa Quem ouve as vossas músicas pela primeira vez tem a impressão de ser um fado numa versão mais “alegre”, uma vez que o vosso estilo difere um pouco do fado tradicional. Com base nisso quais são os maiores objectivos dos Deolinda e como surgiu o grupo?
Deolinda
O fado faz parte do nosso ADN. Fomos embalados em pequenos com ele. Familiares e amigos cantavam-no. Talvez por isso, o fado transpareça nas nossas músicas. Mas além do fado, existem também ecos de outras músicas, também portuguesas, as canções populares e tradicionais de algumas regiões do país. Sem esquecer os cantautores portugueses que sempre nos inspiraram. Sobretudo tentamos fazer música popular portuguesa, original e que seja actual. Foi esse o propósito com que nos juntamos e continua a ser a razão pela qual continuamos a trabalhar.

CS Informa Porquê “Deolinda”?
Deolinda
O nome Deolinda surgiu porque o grupo de canções que tínhamos na altura remetia para um imaginário feminino e achámos que seria engraçado criar uma personagem que representasse esse imaginário. O Luís, na altura, sugeriu Ivone, mas o Zé Pedro rematou logo com o nome Deolinda e ganhou.

CS Informa A canção “Parva que Sou” teve uma enorme repercussão, logo no dia a seguir a apresentação no Coliseu do Porto o vídeo no YouTube já tinha milhares de visualizações. Todo este sucesso foi uma grande surpresa para vocês ou já estavam a contar com esta aceitação por parte das pessoas?
Deolinda
Foi uma surpresa. Tínhamos ideia que algumas pessoas talvez se identificassem com o tema, mas toda esta repercussão que a canção tomou, estávamos longe de imaginar. A experiência dos Coliseus, com o público a reagir frase a frase de forma tão entusiástica a uma canção que estava a ser tocada pela primeira vez foi, sem dúvida, uma daquelas experiências que nunca iremos esquecer.

CS Informa Esta canção foi como um acordar de uma geração silenciosa, que pouco depois deu origem aos protestos da “geração à rasca”. Face a isto, sentem-se como os impulsionadores desta geração e destes protesto que se espalharam por todo país?
Deolinda
A dimensão mediática que canção teve, talvez tenha chamado a atenção de muita gente para a questão da precariedade laboral da juventude e recém-licenciados, mas o problema já existia antes da canção e já havia movimentos e protestos no sentido de alertar para este problema. Se a canção for um pretexto para que se debata a questão e se encontrem soluções, ficamos muito felizes por podermos dar o nosso contributo.

Thais Rosa Soares
Fábio Leite

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